sábado, setembro 08, 2007

Depois de Nós

"Hoje os ventos do destino
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho,
Nunca olha para trás"

-- Depois de Nós, Engenheiros do Hawaii (Carlos Maltz)


Pois é, passou.

Para mim mesmo, não poderia ter havido idéia mais feliz que o Ratos na Noite.

Ainda que os grandes acontecimentos que o blog registra tenham durado apenas três meses, tenho certeza de que ele celebra com justeza nosso tempo (ou o fim dele).

Chegamos, rapazes.

Vocês se lembram de Thiago Mattos e a câmera, perguntando onde estaríamos depois de dez anos?

Independentemente do quanto cada um acertou ou errou, se excedeu suas expectativas ou não, se ainda terá tempo de alcançar ou reverter alguma coisa, o fato é que crescemos e - sem qualquer dor na consciência, afirmo: não precisamos mais uns dos outros.

Não por não haverem problemas. Contra todas as nossas próprias vontades estamos mais (ou menos) "amarrados", mais (ou menos) presos ao trabalho, mais (ou menos) ocupados. As pérolas e porcos são de nos fazer perder as contas, como também diriam os Engenheiros do Hawaii.

O caso é que crescemos. O caso é que há alguns anos não há problemas graves em nossas famílias. Estamos bem alimentados, trabalhando e apertando costelas.

A menos que estes tempos de bonança se convertam em uma perenidade impossível, eu arrisco dizer que nunca mais voltaremos a ser tão felizes em nossas vidas.

Penso que este seja o momento apropriado para duas coisas. Uma delas é renovar os laços que um dia voltarão a ser importantes. Para lembrar que a vida não é fácil, mermão, e que quando menos esperarmos, vamos voltar a precisar das visitas e abraços uns dos outros - como nosso amigo Rèmy, lembram-se?

Outra é uma foto. A menos que este post seja contradito até o fim de 2007, recomendo veementemente a realização de uma nova festa, como a de alguns anos atrás. Temos tempo para organizá-la.

Vamos tirar uma foto pra deixar no bolso para os próximos anos.

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sexta-feira, maio 04, 2007

NA PISTA PRA NEGOCIO?

NA PISTA PRA NEGOCIO?
Não. Nem na pista e muito menos “pra negocio”. No atual mundo consumista, desse do consumo imediato das coisas e das pessoas, essa frase cabe bem, ate em se tratando, mesmo, do ser humano, como um “produto”, cabível de “negocio” e “pista” se referindo a estar “solto”, “largado” ou de fácil acesso.
Ora se estar namorando ou casado se referisse, a estar “preso”,”castrado”,”guardado” ou inacessível.Esse entendimento ,no que cerne exatamente o estado civil da pessoa, sempre me chamou a atenção, e principalmente o modo como as pessoas se referiam e se referem a ele. Como o já citado acima “To na pista pra negocio” ou o “Estou agarrado”, estou “enrolado”, estou “pegando”, estou “mordendo”, que de longe, não fazia alusão nenhuma a um automóvel, cola, carretel de linha, um objeto ou um pedaço de carne, no caso, necessariamente nessa mesma ordem.
O estar casado ou solteiro ganhou o linguajar bem século 21, atual, o namorando ganhou uma cara diferente e daí saiu um novo modo, o “free” da coisa. Nem casar, nem namorar, apenas “ficar”.
Escutava minha avó dizer que, no seu tempo, ou você era solteiro, namorado ou casado. Caso se relacionasse estava, automaticamente, namorando, daí noivo e consequentemente casado! Não existia, então, esse meio termo, dizia ela, se referindo ate mesmo a bíblia, e não me engano a carta de laudicéia. “Seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito”. Achava mesmo engraçado quando ela dizia isso com orgulho dos costumes de sua época e sobre tudo sobre o sonho da mulher em se casar.
De qualquer forma penso que o estado civil da pessoa nada tem haver com a sua disponibilidade de se relacionar com outros, no aspecto social, sair com amigos para um bate papo descontraído, beber, dançar, enfim, se divertir de outros modos. Não somente com a pessoa amada, tendo em vista, obvio, o tempo que isso também tomara, mas nada que invalidasse uma coisa ou outra.
Por conta disso, penso que, estar namorando não significa estar “amarrado” e estar Solteiro, estar “solto”, ate mesmo na atual sociedade que vivemos. Essa mesmo que estabeleceu o “ficar”, reprime a mulher que escolhe ser “solta”, ora por rotulá-la como fácil demais ou safada, caso tenha muitos companheiros, ora chamando-a de “encalhada” por não ter de menos ou não ter nenhum. Já o homem “amarrado” é “careta”, bobo ou “esta mortinho”, e o “solto” é o garanhão, o bonzão, o “pegador” ou ate mesmo se enquadra no “bonde dos carecas”, sabe? Aqueles que comem...
E continuemos a viver nesse doce paradoxo de relacionamento, mulheres a beira do “cachorra” e “gatinha” e homens na corda banda do “pegador” ou do “bocó”, nesse doce “por se pegar”, nesse contraditório sentido do que se quer, e do que se pode dar.
Nessa incansável busca de se encontrar no outro aquilo que se torna inalcançável quando se consegue encontrar.

segunda-feira, abril 16, 2007

De se Viver...

Era mesmo envaidecido o olhar daquele moço que buscava, já distante, uma explicação pra vida, pro sentido de existir. Era complexo e parecia sempre tender a algo inexplicável. O vem e vai de gente no mundo, o nascer e o morrer constante das pessoas e das coisas, as mudanças, a sociedade, as religiões, o complexo ato de amar. Fazia-se inquieto, muita das vezes perdido dentro e fora dos seus pensamentos, tinha sempre o olhar distraído numa rachadura no teto ou na televisão desligada que refletia a imagem da janela aberta e um passado em forma de pássaro nela a bater com o bico no vidro.
Era mesmo um questionador das coisas, das posições, das mudanças e gostava de ter-se quieto, muita das vezes, como se pudesse e quisesse apenas ouvir o som do mundo.
Não conseguia ter um normal decorrer da vida, dessa que passa em “brancas nuvens”, tinha sempre pensamentos, ainda que num caminhar simples pela rua, era sempre “metralhado” por suas próprias perguntas, e mal conseguia pensar na conta que vencia, no encontro marcado com a menina ou na vida da vizinha.
Todo o dia passava, a caminho do trabalho, em frente a um cemitério que dava pra frente da prefeitura de sua cidade, e por mais que visse a cena se repetindo na porta desse por várias vezes: famílias chorando, senhores, idosos, crianças, o carregar de uma vida expirada dentro de um retângulo de madeira, não conseguia se acostumar e sempre pensava em quem foi aquele,o que teve, o que fez, quem era, quais eram seus sonhos? Não pensara que aquele era um morto que voltaria, apenas, ao pó.
Era mesmo estranho esse moço que adorava discutir e pensar filosoficamente nas coisas da vida e não via aquele senhor mendigando como apenas um mendigo, propriamente dito, mas sim uma história de vida.
Era estranho abster-se das religiões para se questionar o sentido da vida, mas era assim que esse jovem fazia quase que todas as noites, deitado no chão, sem camisa – ele gostava de deitar assim - pensava no sentido de uma criança nascer e morrer 2 minutos depois por complicações, qual o motivo de um menino de 6 anos morrer sendo arrastado por um veículo roubado ou que lógica teria em uma menina, no intervalo de uma aula na faculdade, ser atingida por uma bala perdida e ter que viver, quase que, em estado vegetativo. Qual o sentido da vida, dessas vidas especificamente?
Era mesmo estranho a ele ver filmes em preto em branco, ou cenas antigas de contexto político, por exemplo, da década de 60, e observar todos aqueles na televisão falando,expondo suas idéias, fazendo parte de algum cunho histórico, algo marcante como a própria ditadura, e depois pensar..
- Quantos desse ai estão vivos hoje?
Chegar à conclusão, que só vivem hoje na memória de poucos, ou como disse Getúlio Vargas: - Saio da vida para entrar na história.
Enquanto, absorto em seus pensamentos e sobre o que ele faz de sua própria vida, a que ele mesmo serve nisso tudo, não podia deixar de lembrar daqueles que vivem a vida tranquilamente, como se não fossem morrer. Desses que vivem bem à beira do fútil, do sem valor, do sem conteúdo. Os vizinhos fofoqueiros, o pessoal do Big Brother, aqueles que estavam, definitivamente, preocupados, ainda que inconscientemente, com o efêmero, com o que é evanescente.Mas talvez estivessem certos, pois a vida, também, se mostrava nessa linha tênue do que se esvai e pode ser eterno e se dê por satisfeito por ainda existir. Essa tal de fé, essa mesma que move o mundo, não tem forma, nem gosto e nem é visível; apegue-se ao que não se pode provar e tente você ter, também, mais momentos felizes do que tristes, nesse curto espaço de tempo na terra poder sentir menos a dor das perdas constantes das coisas e das pessoas. Será da vida se acostumar?

segunda-feira, março 05, 2007

MEU PRIMEIRO VIOLAO

MEU PRIMEIRO VIOLAO
- Fala irmão, aí... Tu toca violão há quanto tempo? Aprendeu sozinho?
Disse o rapaz numa festa que eu estava com meu instrumento no colo, dia desses, enquanto saboreava uma cerveja gelada no intervalo de uma canção e outra.
E nesse momento passou-me como filme na cabeça, mais uma vez, minha adolescência na praça perto de casa, no banco, à noite, os amigos, conversas, amores, paixões, madrugada adentro, primeiros porres de vinho (daqueles garrafões de 5 litros), muita música, ventos frios do meio de ano, poesias avulsas gravadas num daqueles pequenos gravadores, de fitas menores ainda, - como lembro disso tudo-.
Das paixões platônicas, das descobertas, dos papos filosóficos, do que queríamos ser, fazer, como desejaríamos estar com a idade que agora temos, engraçado escrever isso hoje e pensar que o tempo passou.
Lembro-me que trocávamos qualquer discoteca, festa, shows por aquela praça numa sexta à noite. Todos se arrumavam e se encontravam naquele especifico banco, o ?ratátá? pra comprar o vinho, os violões, as bicicletas encostadas, as meninas, os meninos, uns sentados no banco, outros no ferro que envolvia um retângulo no chão e servia, também, de banco (até hoje não sei pra que servia aquilo, senão pra sentar e apoiar pedal de bicicleta).
As primeiras madrugadas que passamos acordados noite adentro, choros, gargalhadas, brincadeiras, beijos, e também meus primeiros acordes no violão.
- Coé cara, me ensina a tocar violão aí.
E o mais velho do grupo:
- Pô, é que meu violão é pra canhoto, ?arruma? um que eu te dou uns toques.
E voltou ele a tocar, fixado os olhos na menina que ele gostava enquanto essa conversava com outro.
Época meio complicada pra nós, sem dinheiro, adolescentes, sem saber o que fazer, curso pré-vestibular, nervos a flor da pele, pressão dos pais...
- Só quer saber de ficar nessa porra de praça enxugando a garrafa de vinho? Sai disso meu filho que isso é ?rabo de foguete? (dizia meu pai)
Mas foi a ele mesmo que pedi, no alto dos meus 17 anos, meu primeiro violão.
- Pô, Gudo (apelido de meu pai), queria aprender a tocar violão.
- É bom, e por que não aprende?
- É que tenho que ter o instrumento. o Gabiru, namorado da minha irmã, que é musico, me disse isso, disse que ate me ensina, mas só quando eu tiver o meu.
Meu pai com aquele olhar de quem pensa, ?sobrou pra mim?
-Meu filho, eu tô tão duro e numa maré tão ruim, que se eu montar um circo, o anão cresce (lembro-me, claramente, dessas palavras).
Fiquei meio desanimado, continuamos a conversar e ele me contou das dívidas, das contas do mês, do meu curso pré-vestibular etc.. Etc...Etc... , mas no final comentou:
- A não ser que você queira ir à feira comigo no domingo, lá em Areia Branca...
De repente a gente arruma um violão barato lá pra você, o que acha?
Não pensei duas vezes e domingo ensolarado pegamos o famoso ônibus São Jorge para a feira, lá chegando vi de tudo, barracas de cd, lingüiça, cordões, camisas, banana, relógios, fios, conectores, gente vendendo cachorro, gato, trocando passarinho, vídeo game, peças de carro espalhadas pelas lonas no chão, barracas de caldo de cana com pastel.
- é 1 real, é 1 real
Aquela ?muvuca?, gente de tudo que é tipo e tamanho, com seus pertences na mão para trocar e vender, era tanta coisa que eu me vi impressionado, me perdi do meu pai e minutos depois pude avistá-lo numa barraca de laranja mordendo a fruta com casca e tudo e chupando:
- essa tá boa Zé, tá quanto?
- R$3,00 a dúzia, chefe.
- E pra quem tá ?rezando pra chover? sai a quanto?
- Sr. é foda (disse rindo), dá R$2,00 aí na dúzia
- Safo. Coloca duas dúzias então e me dá essa banana também que tá com a cara boa.
Encheu a bolsa, me aproximei dele:
- toma aí filho, leva pra mim!
Fui andando com aquela bolsa pendurada nas costas no meio do povo, meu pai parando em tudo que era barraca já me deixava nervoso:
- Fala ai camarada, quanto ta essa chave de ?grifa??
-?4 conto?, chefia
- Não, mas eu queria uma só (disse no tom irônico)...
- Menos de R$2,00 eu não faço não
- Tá safo. Dá pra cá. Faz a de fenda por R$1,00? Te dou R$3,00 aqui, fechado?
- Tranqüilo, segura aí.
Colocou as ferramentas na bolsa junto às frutas e continuamos a andar quando ele gritou lá da frente.
- Hugo, tem um violão aqui.
Apressei-me empurrando o povo e cheguei rápido até lona do senhor espalhada no chão com algumas pecas de vídeo game, fitas, fios, uma guitarra quebrada e um violão velho com duas cordas arrebentadas.
E meu pai disse:
- Tá pra quanto esse violão?
- R$40,00 chefe. Só colocar as cordas!
Peguei o violão e o vi aranhado, meio quebrado, velho, duro, desafinado, mas lembrei-me de que alguém tivera me ensinado a ver se o braço desse instrumento estava empenado, que era o mais importante,e pude perceber que não estava, fiz cara de quem entendia e disse:
- R$40,00? Dá não moço, ??brigadão?? mas é que ele está todo empenado, dá nem pra tocar. Isso ai serve só pra lenha de fogueira.
Meu pai me olhou com aquela cara de quem diz:
- E tu lá entende de violão?
O vendedor então disse
- Faz o seguinte, me dá R$20,00 nele e tu conserta isso aí!
Meu pai se meteu e disse
- É que a gente só tem R$10,00... Senão a gente volta andando pra casa.
- Dá R$15,00 e ?morreu? a parada
Demos o dinheiro a ele, segurei o violão com a mão esquerda, com a direita a sacola, e fomos andando enquanto meu pai dizia:
- Mas como você vai fazer pra tocar com isso ai ruim?
- Tá ruim não cara, só colocar as cordas, meti um ?caô? pro cara.
- Como é que você faz um negócio desse, meu filho? Tá aprendendo isso com quem?
Olhei pra ele sorrindo e disse
- Com ninguém não, pai... Com ninguém não
E assim adquiri meu primeiro violão, duro, de cordas de aço que acabaram com as pontas do meu dedo, mas não me deixaram desistir. Revistinhas de cifras, dedilhados, e a perturbação com os amigos para me ensinarem alguma música fácil, até o dia que consegui tocar ?Que país é esse??, e nunca mais parei. Aprendi com o pior violão que tinha, com maior dificuldade, mas insisti até conseguir.
- Ou, irmão? Tá doidão? Só, te perguntei como tu aprendeu essa parada, se tem muito tempo...
Achei maneiro, teu violão é show de bola também, fica bolado não. Tá ?quietão? aí depois que perguntei a parada.
Sorri, olhei para o cara e disse:
- É que é uma longa história - disse rindo - enquanto começava a tocar outra música.
HUGO MENDES
03-03-07

terça-feira, fevereiro 27, 2007

CATARSE

Pedro Augusto sentado no vaso lendo caderno de saúde do jornal de sua cidade, querendo ficar mais magro Maria Alice pulando na micareta do Chiclete com Banana no sol de 40º graus (já tinha beijado 32 na primeira hora de folia). Ângelo deitado no seu quarto - luz apagada e chorando a namorada que o largou para ficar com o coroa rico - e Carlinhos ?Comilão? filosofando na padaria, contando sobre suas mulheres, seu excelente desempenho sexual e sua facilidade em conquistar as mais gatas meninas da cidade.
Os casados que querem se separar jogando bola, as solteiras que querem casar comprando vestidos no shopping, os fiéis, os não fiéis, os safados, os certinhos, o garanhão, a vagabunda, o velho e o novo, o barrigudo e o sarado, todos se propondo a viverem uma coisa tranqüila, a estarem (no fundo) ao lado de alguém que os amem, os respeitem e principalmente ?os façam felizes?, para todo o sempre?!
Todos (ainda que não conscientes) procurando no vão de um copo de cerveja e um ?olhar-sorriso? na mesa de um barzinho uma esperança, uma vontade de chamar alguém de seu, entre a saída com as amigas e o jogo de sinuca na Lapa aquele olhar ?entrão? do rapaz dos olhos verdes de sorriso de comercial dentário e aquele involuntário aumento nos batimentos cardíacos:
- Marina, ele ta olhando pra mim?
Da conversa o acariciar o rosto, beijar como quem nunca beijou, o abraço verdadeiro, aquele singelo ?se cuida?, o telefonema no meio da madrugada ?? é só saudade? , a vontade de estar junto, ser algo novo, ser algo inteiro, unir pedaços, almas gêmeas, se apaixonar, o querer ?amar pra sempre?, ainda que hoje esteja na moda se separar, a liberdade sexual, a facilidade total das coisas que cerne sexo, dos direitos da mulher, do trabalho para todos, mães solteiras, pais ??juntados??, o viver sozinho não simboliza mais a solidão, a mulher sapatão , o cara maluco que faz suas necessidades na parede, a gorda encalhada, o velho babão ou o homossexual que gosta de receber garotões no seu apartamento. Mulheres que moram sozinhas, bem resolvidas, solteiras com mais de 30 e sem medo da solidão, quarentões estilos ?nova geração? que curtem a ?night? e adoram cuidar do corpo, amigas que dividem apartamento e não vêem a hora de morarem sozinhas. Mário Quintana - que já na casa dos 80 - morava sozinho e adorava se apaixonar, sem o dizer de ser sempre pela mesma pessoa, dizia que gostava de gente.
Vivemos, definitivamente, um novo tempo, uma nova cultura, uma nova sociedade, novos tipos de família, fugindo da regra: pai, mãe e filho, escorregando pelo machismo de outrora da mulher que casava e era sustentada, da renda familiar ser, apenas, a renda do pai, e o fim do casamento que deveria se frutificar (quase que obrigatoriamente) com um ou mais filhos, para provar a todos a virilidade do patriarca.
De uma forma ou de outra a nova sociedade consegue sair um pouco do antigo eixo familiar que era dependente de questões religiosas, bíblicas e transcendentais ao entendimento humano. Casamento entre homem e mulher nem sempre se faz filho, a união entre o mesmo sexo, o viver só e por opção sem a necessidade e pensamento primitivo ? limitado - de se ter alguém para lhe servir, lhe ser seu, de posse.





A nova visão de união, penso, talvez deva vir de agregar e não segregar, juntar amigos, namoradas, esposas, festas íntimas, afinidades, cumplicidade, do sair junto e sair separado terem o mesmo peso, não ser disputa e sim ser correr do mesmo lado, se for pra ser, que seja de igual valor - ?vento que venta lá, venta cá? - seu chopp de sexta nada difere do dela de quarta com as amigas, seu futebol com os amigos e o conversar dela com as amigas na livraria tomando café é normal aos dois.

Penso que chegará o dia que as relações terão o mesmo peso, o mesmo valor para homem e para mulher, chegará o dia onde viveremos mais tranqüilos sozinhos sem o fantasma da depressão, do ?estar abandonado?, do ?ninguém me quer, ninguém me ama? e seremos menos vítimas do amor romântico do que agora, embora eu tenha a certeza de que hoje já se apresente de forma bem diferente da época de nossos avós. Ainda há, de fato, grandes resquícios da idealização da pessoa ideal, do ?ate que a morte nos separe? e também ? do que Deus enviou pra mim?, creio que chegará o dia que as pessoas escolherão viver juntas por afinidades, por agregação de idéias, valores, gostos, por carinho, por tesão equilibrado ao delicioso conversar na cama e o vagar a dois pela casa será algo que sempre nos acrescente, que nos importaremos mais em nos nutrirmos e nutrir o outro, do que casar apenas por paixão, tesão ou essa relação serviçal e unilateral que tínhamos na década passada: na mulher como companheira e não como propriedade do homem. Chegará o dia em que tudo que dissermos será poesia e viveremos bem e felizes, juntos ou sozinhos, sem temermos o desconhecido da solidão de outrora, seremos melhores e mais felizes sem projetar no outro nossa vida inteira e sem precisarmos fazer ninguém de bengala para nossas dores. Se juntarão sem precisar de testemunhas, vestido de noiva e ?frack? grafite.

HUGO MENDES GUIMARAES
26/02/07
** Grato a Revisão de Priscila Bispo

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Chegando ao RJ

Ainda por volta de 14 horas e 30 minutos o ônibus executivo, de ar refrigerado e cheirando a novo, chegava à rodoviária Novo Rio. Vindo diretamente da região dos lagos, da grande janela eu avistava um domingo ensolarado nas ruas, os vendedores com seus tonéis de bebida correndo entre os carros, a fumaça dos caminhões, o velho sujo sentado abaixo da escrita ??GENTILEZA GERA GENTILEZA??, o Rio de Janeiro continua lindo?!
O ônibus vira para finalmente chegarmos ao desembarque, tiro de cima de mim a coberta, o saco de biscoito e a água mineral. O ônibus para, todos se levantam, arrumam seus pertences e descem,andando calmamente pelo corredor e chego próximo à porta, assim que coloco meus pés no chão sinto aquele bafo quente, que me dá as boas vindas.
O calor, a gritaria, o corre-corre, as mochilas, as bolsas de viagem, sai pela esquerda no meio da confusão do passageiro que não encontrava sua mala e fui caminhando com minha pequena mochila nas costas, óculos escuros embaçado pelo suor que meu rosto produzia e sai caminhando por dentre a rodoviária para então sim aguardar o ônibus que me levaria a minha residência, do outro lado da pista.
Atravessei a passarela e ao chegar ao outro lado senti minhas costas molhadas pelo suor, as axilas, o rosto, tirei os óculos escuros, passei a blusa no rosto e continuei a caminhar, paralelo ao CAIS do porto, aquele povo todo aguardava suas conduções esperei alguns minutos ,e uma van (que também me servia) passou, não pensei duas vezes: fiz sinal..Transporte coletivo secundário vazio, eu e mais uma senhora - bem acima do peso - que estava ensopada de suor, ofegante, respiração acelerada pediu ao motorista pra abrir as janelas. Esse com uma cara de quem comeu e não gostou, começou falando sozinho e terminou a ela:
- Porra é foda... Só abrir, a senhora não tem braço não?

Eu ali sentado ao lado oposto do motorista na última ?carreira? de bancos me levantei e abri as janelas enquanto a senhora soltava um belo: - vá pro inferno seu demônio, nem pra abrir uma janela. O motorista fez que não ouviu e continuou a dirigir naquele lento ?cata-cata? de gente nos pontos, a cada 300 metros ele diminuía a velocidade, piscava o farol algumas vezes, e outras parava para pegar mais passageiros.
Quieto eu observa as ruas pela janela suja da van, as pessoas correndo, os ônibus lotados, os vendedores, as famílias vindo da praia, o vendedor de churrasquinho, as dezenas de barracas de açaí, suco, x - tudo, lingüiça, bebidas, bucho e camarão, etc..

Avenida Brasil de grandes buracos e deformações no asfalto, ao lado dos pontos a sujeira que tomava conta de sacos de lixo, copos de açaí a pneus de caminhão estourados, no lento percurso, outra parada, mais passageiros entrando, mais calor, o vendedor se aproxima, puxo um real do bolso e compro uma água mineral.
Continuo observando a pista, os grandes galpões vazios, à venda, alugando, uns queimados outros abandonados, os barracos a beira da estrada, as favelas, o valão, o funk carioca tocando em frente à casa de borracharia, as vielas, a sujeira, o cavalo magro, um ou dois colchões queimados fechando uma rua, crianças sujas correndo sem roupa, o cachorro atropelado, as senhoras fazendo churrasco na laje e se esbaldando com água da mangueira ao som do pagode ?... toda noite eu saio a sua procura...?.
De repente me flagrei a pensar em tudo isso e assim me passava como um filme na mente essas palavras que, juntas, formam esse encadear de idéias que agora escrevo.

Pensamentos que tive ali dentro, naquele trajeto até minha casa, comparei - ainda que inconscientemente - ao lugar de onde acabara de chegar, daquele vento gostoso que passa o dia inteiro pelas ruas, daquele cheiro de mato, o cercado por montanhas verdes, as ruas limpas, uma cidade tranqüila onde os moradores estão mais preocupados com as construções ilegais em área ambiental do que com o Jorge, (filho de seu ?Tide?), vai fazer na novela das 8h. Uma cidade que ainda se encontra longe do caos da violência do Rio e cercada de lindas praias, de um ambiente gostoso de se viver aonde, ainda, se pode caminhar tranqüilo, correr, andar de bicicleta e pouco ouvir ou ver assassinatos, crimes bárbaros e estórias tristes de violência, é pensar em andar tranqüilo pelo seu bairro sem medo de ser encontrado por uma bala perdida.
Perdido dentro de meus pensamentos, não reparei que a van já estivera cheia e que um senhor estava na minha frente, de cara feia, falando
- da licença aí grande, deixa eu sentar.
Disse acanhado
- foi mal, vê se da pra passar!
Encolhi-me, levantei as pernas jogando-as pro lado direito, ele passou, sentou e disse:
- Calor do caralho, ninguém ?guenta? isso não, ainda bem que hoje tem jogo do mengão.

Não entendi bem a colocação dele, muito menos o fato do jogo de futebol minimizar a alta temperatura, mas concordei:
- é verdade!
Depois pensei comigo quieto, deve ser por que com o jogo de futebol ele tenha um motivo pra beber, cerveja é gelada, refresca...
Enfim, pensamentos abstratos à parte voltei a pensar na vida, no passeio, no rio e principalmente no que quero pra mim, pra minha vida, ao lado de uma senhora que goste de dançar comigo, que ria de mim e me faça bem.
Pensei a que me proponho nessa vida, se não escolhi nascer, posso escolher por onde andar, onde envelhecer, e sobre tudo onde e com quem ter uma vida saudável e tranqüila.
E tive a nítida certeza que onde vivo hoje não é mais o lugar saudável e tranqüilo que meus pais viveram há 40 anos atrás, embora seja o mesmo.
E esse, daqui a mais um tempo, não será mais o que hoje representa, o ?homem muda e rio também? já dizia Heráclito.

Olhei pro lado e percebi que já estava em cima do meu ponto, e nem vi chegar, gritei pro motorista que ouvia um som sertanejo.
- Aloww, vou ficar no próximo ai, em frente à antiga loja de carros.
Ele olhou pra trás
- Já é irmão! É nós!
Eu
- Valeu, ?brigadão?, quanto é?
- 4,00 conto, fiel
- Beleza, segura aí.
- É nós, fica com Deus ??na disciplina??!
Coloquei a mochila nas costas, fui andando, e pensando sobre gírias, mas isso é ?papo pra outro desenrolo?.

HUGO MENDES GUIMARAES 25/02/07

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Novo blog

Hey,

sempre me pareceu muito difícil postar algo relacionado a tecnologia ou carreira por aqui. Principalmente quando assuntos muito mais importantes, como cerveja, cabem perfeitamente neste espaço.

Assim sendo, com o perdão do merchan (infelizmente o BBB está voltando, não é?), inicio hoje 01/01 um blog chamado TI 2.0 em http://ti20.wordpress.com. Vou usá-lo para tratar da área de TI e talvez de um pouco daquilo que me é mais pessoal.

Ainda não tem nada por lá. Mas são 04:15h do Ano Novo. Quando lerem isso já vai haver alguma coisa.

E a propósito, feliz Ano Novo! =)